Faialenses andaram e andam pelo Mundo…
Januário Garcia Leal foi fazendeiro na região de Alpinópolis, no sul de Minas Gerais, tendo vivido uma vida tranquila até que a morte brutal do seu irmão João alterou tudo. Desprezando a justiça colonial que falhou em punir os culpados, Januário juntou-se ao seu irmão Salvador e ao primo Mateus, procurando fazer a vingança por conta própria. Recebendo autorização real, eles iniciaram uma perseguição implacável aos assassinos, adotando a “lei do talião” ou “olho por olho, dente por dente”. Originária de antigas civilizações, essa lei era aplicada como forma de punição, em que a penalidade imposta a um infrator seria equivalente ao dano causado por ele. Neste caso, os criminosos eram mortos e as suas orelhas exibidas como troféus. A intervenção do Príncipe Regente de Portugal foi necessária para conter a ação de Januário que ficou conhecido como o “Sete Orelhas”.
A história do “Sete Orelhas” foi contada de diversas formas ao longo dos anos. Uma versão relata que Januário teria sido motivado pela morte de seu irmão João em uma disputa de terras. Outra versão menciona um contexto diferente, onde a vingança é atribuída à morte de um filho de Januário, havendo muitas outras versões ficcionadas em livro e até em filme. No entanto, estas narrativas foram reforçadas e contestadas ao longo do século XIX, em várias obras, sempre retratando o personagem de maneiras diferentes.
O nome Garcia Leal, atribuído ao “Sete Orelhas”, remete à existência de um colono real com esse nome, nascido em Minas Gerais no século XVIII. A pesquisa genealógica mostra que o sobrenome Garcia estava ligado a uma extensa rede de famílias descendentes de colonos açorianos que se estabeleceram no Brasil. A identidade cultural dessas famílias foi alvo de manipulação durante as perseguições políticas, com o objetivo de enfraquecer sua coesão social.
Detalhes biográficos revelam a origem familiar de Januário Garcia Leal e sua conexão com outras figuras importantes da época. Seu casamento com D. Mariana Lourença de Oliveira também é mencionado, assim como seus numerosos irmãos e descendentes. A história do “Sete Orelhas” emerge como uma narrativa complexa que entrelaça eventos históricos, questões de identidade cultural e manipulação política.
Januário Garcia Leal nasceu numa família com raízes profundas e vasta descendência. Seu pai, Pedro Garcia Leal, de ascendência açoriana, era filho de João Garcia Pinheiro e Maria Leal e cresceu numa família numerosa, sendo um dos nove irmãos: José, Joaquim, João, Manuel, Antônio, Ana, Maria e Salvador.
Além disso, Januário Garcia faz parte de uma extensa genealogia familiar. O sobrenome Garcia é identificado como o único nome de família atribuído ao “Sete Orelhas” em todas as publicações sobre a sua vida. Descendentes de cinco colonos provenientes da Ilha do Faial, estabeleceram-se principalmente na região das nascentes do Rio Grande, em Minas Gerais, antes de se espalharem por outras regiões do Brasil, como São Paulo, Mato Grosso e Goiás. Esta genealogia revela não apenas a conexão familiar de Januário à nossa ilha, mas também a disseminação e influência cultural dessas famílias ao longo do tempo no território brasileiro.
Os “Garcias” faialenses (a nossa família) poderão afirmar que são parentes do “Sete Orelhas”? É provável, mas a história não termina aqui.






















