O Porto do Comprido, situado na ponta oeste da ilha do Faial, destacou-se como uma das estações baleeiras mais significativas dos Açores devido à sua posição estratégica e história rica. Localizado junto a uma pequena Calheta formada há centenas de anos por uma escoada lávica, este porto oferecia um abrigo natural essencial para a pesca costeira, sendo referido em literatura desde os primeiros tempos do povoamento da ilha.

Descrito nas cartografias do século XVIII como a Ponta Comprida, este local isolado entre as falésias e o mar era ideal tanto para a partida como para a chegada das embarcações.
As altas falésias do Costado da Nau forneciam um amplo alcance visual aos vigias da baleia, estabelecendo uma comunicação crucial com as vigias localizadas na Costa Norte da Ilha, nos Cedros e no Salão, conectando-se à vigia do Alto das Concheiras.
Conhecido na época como “Capelinhos CUX 56” ou “Terror das Baleias”, o Porto do Comprido chegou a abrigar de uma só vez 21 botes e 7 lanchas, estas ficavam fundeadas fora da baía natural. As tripulações eram provenientes das ilhas do Faial, Pico e São Jorge, sendo 147 homens das companhias baleeiras, além das tripulações das lanchas e suas famílias, a pequena colónia construída ali abrigava mais de duzentas pessoas, especialmente durante os meses de Primavera e Verão, até julho. A partir de Agosto e com as “lavadias” era hora de partir, pois o ditado antigo era muito respeitado: “Primeiro de Agosto, primeiro de Inverno”.

Esta pequena colónia construída junto ao do porto incluía 12 casas de palha de trigo, 11 casas de telha, uma casa de ajuntamento para fins de cozinha coletiva e outra para armazenamento de equipamentos. Além disso, o local contava com um botequim/mercearia do senhor Artur Alves.

A atmosfera do Porto do Comprido era impregnada de atividade incessante, marcada por momentos de camaradagem, rivalidade, discussões e tristeza pelas perdas de baleeiros, mas também por histórias e aventuras típicas das gentes do mar açoriano.
Durante 77 anos, entre 1884 e 1957, a Estação Baleeira dos Capelinhos foi vital na subsistência de inúmeras famílias açorianas, contudo, em setembro de 1957, quando o Vulcão dos Capelinhos entrou em erupção, o Porto do Comprido foi abruptamente abandonado. Em questão de meses, décadas de histórias deste posto baleeiro foram escondidas pelas cinzas, deixando para trás uma paisagem obscurecida pela devastação do vulcão.
Hoje, há já marcos edificados da história da estação “Capelinhos CUX 56”, como é Casa dos Botes, mas não podemos ignorar que aquele o portinho baleeiro é um dos marcos mais importantes da baleação costeira dos Açores e há um legado a preservar. A sua condição de isolamento e em comunhão com a Reserva Natural do Vulcão, exige maior cuidado na sua limpeza e a salvaguarda da sua naturalidade. Há quem pense em construir naquele local uma Zona Balnear, nunca o deixará de ser, já tem essa função, mas importa perceber o contexto histórico, promover intervenções minimalistas e evitar uma pressão humana exagerada.

Muito bem.