O croquet, ou cróquete, é um jogo que combina recreação, estratégia e habilidade. Originalmente um passatempo, transformou-se ao longo do tempo numa modalidade desportiva. A essência do jogo reside em golpear bolas de madeira com tacos, fazendo-as passar por pequenos arcos dispostos no campo. Acredita-se que o croquet tenha surgido na Irlanda por volta de 1830, como uma evolução do golfe. Em Inglaterra, ganhou popularidade a partir de 1850.

Apesar de nunca ter alcançado notoriedade como desporto global, o croquet viveu um momento de destaque ao ser incluído nos Jogos Olímpicos de 1900, em Paris. Clubes tradicionais, como o All England Lawn Tennis and CroquetClub (1) — sede do prestigiado torneio de ténis de Wimbledon —, mantiveram viva a sua prática, promovendo variantes como o Association Croquet e o Golf Croquet, ainda populares em várias partes do mundo. No entanto, o croquet continua a ser, acima de tudo, um símbolo de convívio e recreação.
A Chegada ao Faial e a Influência Britânica
Nos Açores, a introdução do croquet está profundamente ligada ao intercâmbio cultural e comercial que caracterizava o arquipélago no final do século XIX e até meados do século XX. O Faial, situado estrategicamente no Atlântico, era uma plataforma de contacto frequente com o exterior, especialmente devido à presença das companhias de cabos submarinos na cidade da Horta, que trouxeram consigo a influência britânica. Foi neste contexto que o croquet encontrou espaço para se enraizar.

Inicialmente praticado na cidade da Horta, o jogo rapidamente se espalhou por outras localidades da ilha. Durante os meses de verão, o croquet era uma atividade que unia a comunidade em torno de jogos e momentos de convívio.
Croquet no Capelo e no Varadouro
No Capelo, destacou-se no Varadouro e do Areeiro, trazido pelas famílias que tinham casa de veraneio. O Varadouro destacou-se como o principal ponto de encontro dos entusiastas deste jogo. Os campos que temos registos estavam localizados nas casas do Senhor Antero Gonçalves, do Senhor Teófilo Garcia, Senhor João Pinheiro e da família Mesquita. Estes terrenos, cuidadosamente preparados, combinavam diferentes materiais: alguns campos eram feitos de cimento, enquanto outros de terra batida, mas todos tinham uma camada de areia, garantindo que as bolas deslizassem suavemente.

No Areeiro, o croquet também floresceu em espaços como as casas do Senhor Rogério Gonçalves e do Tenente Simas. Cada campo tinha a sua peculiaridade, refletindo a dedicação das famílias e da comunidade em manter este passatempo.
Os torneios no Varadouro e no Areeiro iam muito além de uma competição desportiva. Eram momentos de encontro comunitário, onde o som das bolas se misturava com as risadas, aplausos e a conversa animada dos espectadores. As tardes terminavam frequentemente com merendas ao ar livre, e as noites prolongavam-se com bailes improvisados, onde a chamarrita animava todos os presentes.
Memórias de Uma Época
Pessoalmente não apanhei os tempos áureos do croquet no Varadouro, mas guardo boas memórias dos convívios. Para quem viveu essa época, o croquet era mais do que um jogo: era um pretexto para encontros, partilhas e criação de laços. Íamos do Varadouro ao Areeiro para jogar. A subida parecia sempre fácil, mas na volta as pernas doíam-me quase sempre, dava jeito! Acabava por regressar às carrancholas do meu irmão José Manuel. Estas subidas e descidas, os jogos disputados nos finais de tarde, depois de um dia de banhos, enchia as casas de vida — tudo fazia parte de uma rotina alegre e simples que marcava os dias de férias e gosto das tardes grande do Verão.

Tomás Duarte, Conceição Mesquita, Tereza Constantino, Jorge Gonçalves
Humberta Santos, Júlia Simas, Arlete Mesquita e Manuela Lima
A prática era sempre acompanhada de um espírito de companheirismo e amizade. Havia a vontade de ganhar, claro, mas era saudável. Depois do jogo, o convívio continuava, e não havia cenário mais bonito para isso do que o Capelo, todos os que tiveram sorte de viver esse tempo guardam com certeza estas memórias com carinho.
Um Jogo, Uma Tradição

Hoje, o croquet é pouco praticado no Faial, mas a sua memória resiste como um símbolo de tempos mais simples, onde o lazer ao ar livre e a convivência comunitária eram valorizados. No Varadouro, este jogo tornou-se mais do que um passatempo: foi uma expressão da identidade local, um reflexo do espírito de união que caracterizava a comunidade.
A revitalização do croquet no Faial poderia representar mais do que um regresso às tradições — seria uma oportunidade para unir gerações e promover o convívio num espaço tão emblemático como o Varadouro. A construção de um novo campo, respeitando os materiais e o ambiente, poderia devolver à juventude a oportunidade de experimentar a magia deste jogo num cenário único.
O croquet no Faial não foi apenas um jogo, mas um modo de celebrar a vida, a amizade e as pequenas grandes coisas que tornam os dias memoráveis.

José de Freitas, Tomás Duarte…

José de Freitas, Humberta Santos, Maria Júlia Simas, Manuela Lima, Teresa Amaral, Arlete Mesquita
Clotilde e Graça Freitas

Fontes: All England Lawn Tennis and Croquet Club
Pesquisas: José Manuel Medina Garcia e Francisco Gonçalves
Fotos: Coleções de José Manuel Garcia e Francisco Gonçalves
Olá João Pedro! Gostei muito, mas fiz asneira no Comentário, repeti e tornei a deixar sair incompleto e com erros. Desculpa. Abraço
Gostei muito.
Não fazia a mínima ideia sobre a forma próxima de acolhimento do croquet. Apenas sabia que tinham sido os ingleses, tal como com outros desportos, a iniciar esta actividade lúdica.
Muito interessante.
Nós jogámos muito croquet na Acção Católica.