Por: Armando Amaral – Jornal “Tribuna das Ilhas” – 5 de Fevereiro de 2016
Uma grata prenda trouxe-me o Menino Jesus neste Natal de 2015 que terminou nos reis de 2016: o livro raízes e Memórias da Família Vargas Garcia, da autoria de José Manuel Medina Garcia que, por filho de amigo, meu amigo é. E tanto é que me voltou a sensibilizar, pois há seis anos já me ofertara ditos e Escritos sobre João Garcia Júnior. aliás, publicações de que me socorri e socorro para crónicas em “Tribuna das ilhas”, honrando-me ainda com a inclusão na presente edição de o “Homem dos mil ofícios”. a propósito, apraz-me felicitá-lo por ter decidido tirar da “Caixa de Sentimentos”, onde estiveram “religiosamente guardadas” as Cartas escritas entre 1905 e 1910, pelo avô para a “sua querida Anna”, e as desta enviadas ao seu “saudoso João”, e também por, em boa hora, ter resolvido publicá-las. É que são assunto primeiro do livro em apreço, respeitante à Saga dos Vargas Garcia, razão modestamente invocada para a reduzida edição, mas em bom papel com impressão e acabamento apurados na Gráfica “O Telegrapho”. Nas 160 páginas, com muitas notícias sobre a vida local, sendo várias também as fotografias de ruas e edifícios citadinos, do porto da Horta cheio de navios no tempo da navegação a vapor, da ribeira da Lombega e da ponte, da visita régia de d. Carlos e da Rainha Dona Amélia às ilhas do Canal Chamou-nos a atenção um carrão puxado por mulas, a fazer lembrar o do Manuel do Calço, mais conhecido pelo “malhado”, popular transporte de passageiros que ainda chegou ao meu tempo, e com certeza usado por João Garcia, quiçá muito mais na sua bicicleta, para ver a sua “amada”. E a ilha do Pico, não esquecida em fotos da Madalena, Santo António, São Mateus e lajes, lugares visitados em missão profissional que o levou até às Flores cuja Matriz de Santa Cruz é testemunho da sua passagem. um livro assaz merecedor de divulgação no comércio, não passando estas linhas de gota de água no imenso oceano que é a Saga dos Vargas Garcia, narrada em histórica publicação: Hino a uma Família pico-faialense, surgida na primeira década do século XX, tendo como protagonistas João Garcia Jr., da Madalena, e Anna Vargas, de Castelo branco. a elegância de Dona Anna e a pose distinta do senhor João é atributo bem evidente no retrato tirado na Casa fotográfica de Thiago romão de Sousa, à Conceição, no dia do enlace matrimonial do novel casal, em 10 de abril de 1910 na Paróquia de Castelo Branco. Entrando propriamente no assunte principal, as Cartas, atrás mencionadas, revelam mesmo a grande paixão de João por Anna, expressa na maneira apaixonada como a ela se dirige no começo das inúmeras missivas em correcto português e óptima caligrafia, muitas escritas durante o dia, sempre que lhe surgia folga no imenso trabalho em que punha a render dons particularmente de privilegiada inteligência. achamos ainda de interesse registar algumas expressões usadas quer a abrir quer a fechar: Meu adorado anjo, Minha amada Anna,… .te ama de todo o coração,… ao meu anjinho adeus,… te ama eternamente. Por sua vez, em suas cartas, mais breves e menos frequentes, mas nem tanto, já que o feliz enamorado se referia amiudamente a casos por ela postos, Anna também usava: Meu querido, Saudoso João. Muitas saudades desta que verdadeiramente te ama, Queridinho (no texto), e em que igualmente o português e a caligrafia andavam de mães dadas. E pelo que li em “raízes e Memórias acho que ao casal Anna e João, bem se pode aplicar o advérbio : atrás de um grande Homem, há sempre uma grande Mulher.










