Estas imagens guardam um momento singular da transformação da paisagem dos Capelinhos: as obras de construção do Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos, junto ao velho farol, meio século depois de a erupção de 1957/58 ter mudado para sempre este extremo ocidental do Faial.

A opção arquitetónica, da autoria do arquiteto Nuno Ribeiro Lopes, foi particularmente feliz e ousada. Em vez de acrescentar à paisagem vulcânica um novo edifício visível, o Centro foi implantado praticamente todo no subsolo, sob as cinzas vulcânicas e à cota do terreno anterior à erupção. O antigo Farol dos Capelinhos foi simultaneamente recuperado e integrado no conjunto, permanecendo como a grande referência visual daquele lugar.
O investimento global na requalificação do Farol e na construção e equipamento do Centro era então apresentado na ordem dos seis milhões de euros (hoje seria superior aos dez milhões de euros), um valor muito significativo para a época. A obra não se limitou à construção: integrou uma importante componente museográfica e tecnológica, com sistemas audiovisuais, projeções, filme em 3D e outros meios destinados a explicar a erupção, o vulcanismo e a formação geológica dos Açores.
O Centro seria inaugurado em 17 de agosto de 2008, no âmbito das comemorações dos 50 anos da erupção do Vulcão dos Capelinhos, devolvendo simultaneamente o velho farol à paisagem e dando-lhe uma nova função enquanto testemunho privilegiado daqueles acontecimentos.

Mas talvez seja nas fotografias que melhor se percebe aquilo que a obra representou. Vemos uma das fases mais marcantes da intervenção: escavações profundas, máquinas e materiais de construção e, sobretudo, o antigo edifício do farol que haviam ficado soterradas pelos materiais vulcânicos e que, cinquenta anos depois, voltavam temporariamente a ficar expostas.
É precisamente isso que confere a estas imagens um valor documental especial. Durante as obras foi possível voltar a olhar para o Farol dos Capelinhos de uma forma que já não era possível desde a erupção. Paredes e estruturas escondidas durante meio século foram desenterradas para permitir a intervenção e seriam depois novamente integradas e envolvidas pela nova construção. Estas fotografias registaram, assim, um momento irrepetível: o que então ficou à vista dificilmente voltará a ser visto desta forma.
Hoje, quase nada da dimensão daquela frente de obra é percetível à superfície. E talvez aí resida uma das maiores qualidades do projeto: construiu-se um grande espaço de interpretação sem retirar ao Vulcão e ao Farol o protagonismo que sempre lhes pertenceu.
Estas fotografias ficam, por isso, para memória futura. Não mostram apenas a construção de um edifício. Mostram, por breves meses, o reencontro com uma parte do velho Farol dos Capelinhos que o vulcão escondera durante cinquenta anos.

Reconhecimento nacional e internacional
2009 — Nomeação para o Prémio de Arquitetura Contemporânea da União Europeia – Mies van der Rohe.
2010 — Selecionado pela Comissão Europeia entre 150 projetos exemplares cofinanciados por fundos europeus.
2011 — Selecionado para os RegioStars Awards, conquistando o 1.º Prémio na categoria em que participou.
2012 — Finalista do European Museum of the Year Award – Prémio Museu Europeu do Ano, integrando uma seleção de 46 museus de 20 países.
2012 — Menção Especial do Prémio Nacional da Paisagem.
2026 — Finalista das Novas 7 Maravilhas de Portugal, na categoria «Século XXI»