Publicado no Jornal Incentivo de 11 de Dezembro de 2025
Foram 1.445 cidadãos que subscreveram a petição pela recuperação urgente das Termas do Varadouro. Foi entregue a 11 de outubro de 2024 na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores. Passou mais de um ano desde então. E, apesar de debates, consensos declarados e reconhecimentos formais sobre a importância deste património, nada foi feito no local e nada sabemos da articulação entre o Governo Regional e o Município.

É precisamente por isso que volto a este tema. Porque o recém-apresentado e aprovado Plano e Orçamento para 2026 volta a omitir por completo qualquer referência às Termas do Varadouro, ignorando mais uma vez um património que pertence ao Faial, à Região e à nossa história e naturalmente a todos faialenses.
Durante trinta anos, ouvimos intenções. Viveram de promessas. Assistimos a anúncios sucessivos, projetos apresentados e abandonados, estudos divulgados e esquecidos. Em todo este processo, acumulam-se justificações, contratempos e adiamentos, mas não se vê ação.
E, no último ano, depois de entregue a petição, o que foi realmente feito? Que iniciativas foram desenvolvidas? Que decisões foram tomadas? De concreto, nada sabemos. O Governo Regional mantém-se fiel à estratégia de sempre, esperar por um investidor privado que nunca surgiu e que, historicamente, nunca resolveu a questão. Estranhamente, esta postura só se aplica ao Faial. Nas Termas do Carapacho e da Ferraria, a intervenção pública foi decisiva. Aqui, a inércia continua a ser política oficial.
Perante isto, é inevitável questionar, mas afinal qual é o valor real de uma petição de cidadãos? Qual é a eficácia de mobilizar mais de mil pessoas, se o seu esforço é escutado, debatido… e finalmente ignorado? Que mensagem fica para a participação cívica? Que incentivo resta, quando a democracia participativa se transforma num ritual sem consequências práticas? Hoje quando organizam uma petição há uma frase que ecoa em quase todos “vou assinar, mas isso não vai dar em nada”. É a democracia participativa que temos e queremos.
Mas este assunto não pode, nem deve, cair no esquecimento. As Termas do Varadouro são mais do que um edifício abandonado, são uma oportunidade económica, turística, cultural e social que o Faial não pode continuar a perder. Representam um património de valor inquestionável, cuja degradação contínua revela não apenas falta de visão, mas falta de responsabilidade.
E tal como no passado, não deixarei este assunto, nem outros, cair no esquecimento. Sabemos que no Faial é sempre mais difícil. É agora e foi no passado. As posturas são, na essência, iguais, embora ainda haja quem insista em ver apenas virtudes no presente e defeitos no passado, como se vivesse numa confortável redoma ideológica que a realidade desmente todos os dias. Dentro deste espírito, nasce agora o “Movimento pelas Termas”, que assumirá iniciativas próprias e contínuas para manter este tema vivo e incontornável. E lançamos também um repto aos faialenses, que se manifestem, que não deixem este tema adormecer, que provem que a participação cívica não termina numa petição. Há muitas formas de o fazer, todas pacíficas, todas legítimas. Mas a persistência também tem de ser igual ou maior. Porque o Faial merece mais do que promessas. O Faial merece ação.