Ao Abrir da Manhã – Escolhas que Moldam o Presente

Publicado no Jornal Incentivo de 18 de Dezembro de 2025

Maria Raquel Viegas Soeiro de Brito

Felicitá-la pelo seu centenário é celebrar uma vida excecional dedicada ao conhecimento, ao território e às pessoas. Nascida a 12 de dezembro de 1925, na freguesia da Assunção, concelho de Elvas, é uma figura maior da ciência portuguesa, primeira mulher doutorada em Geografia, investigadora incansável e referência incontornável no estudo da paisagem e da relação entre a natureza e a sociedade.

Publicado no Jornal Público de 14 de Dezembro de 2025

A exposição de homenagem atualmente patente, organizada pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, revisita um percurso científico e humano absolutamente notável. Para o Faial, o seu nome tem um significado muito especial. Em 1957, foi a primeira cientista a chegar ao Vulcão dos Capelinhos, episódio que a própria descreve como “o momento mais espantoso da minha vida científica”. Nos Capelinhos, diz, “estava dentro do vulcão. Eu vivi o vulcão”, criando com a ilha uma relação profunda, científica e afetiva, que perdurou ao longo da vida e à qual regressou várias vezes, a última em 2021

As fotografias e filmagens que realizou constituem hoje um património científico e histórico de enorme valor. Por isso, faz todo o sentido que o Município da Horta estabeleça os contactos necessários para que esta exposição possa ser apresentada no Faial, idealmente no Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos. Trazer esta homenagem à ilha é um gesto de reconhecimento, de memória e de justiça para com uma cientista que ajudou a dar a conhecer o Faial ao país e ao mundo.

Carlos Ferreira

A eleição do Presidente da Câmara Municipal da Horta, Carlos Ferreira, para Presidente do Conselho de Administração da Associação de Municípios da Região Autónoma dos Açores (AMRAA) representa um momento de particular relevância para o concelho da Horta e para a ilha do Faial.

Esta escolha reforça a presença do Faial nos principais fóruns de decisão intermunicipal da Região Autónoma dos Açores, assegurando uma voz ativa e representativa num espaço fundamental de concertação entre municípios. A presidência da AMRAA por um autarca faialense constitui uma oportunidade para valorizar as especificidades do território, aprofundar a cooperação intermunicipal e contribuir para políticas integradas que promovam o desenvolvimento equilibrado da Região.

Marina da Horta

Registou-se este ano um novo recorde de entradas de iates, com a chegada simultânea de várias embarcações, neste mês de dezembro, entre as quais diversos veleiros da classe Class40, situação pouco habitual para esta época do ano. As entradas foram acompanhadas e registadas pelos fotógrafos locais António Fraga e José Macedo.

Foto: José Macedo – Dez 25

A presença destas embarcações está relacionada com a Globe40, a principal regata da classe em curso no final de 2025. Esta prova consiste numa volta ao mundo em duplas, iniciada em setembro, em Cádis (Espanha), e percorre vários oceanos, incluindo a passagem pelo Cabo Horn, num desafio de elevada exigência técnica e humana.

Foto: António Fraga – Dez 25

Este crescimento da atividade náutica na Marina da Horta não tem, contudo, sido acompanhado pela devida comunicação nem por uma informação adequada, e as infraestruturas, como já anteriormente referido, não têm merecido a atenção necessária. Este novo recorde de entradas deve, por isso, servir de alerta para a necessidade de reforço dos meios humanos e de melhoria das condições operacionais daquela que é considerada uma das maiores marinas de passagem da Europa. Importa ainda salientar o trabalho atento e consistente dos fotógrafos António Fraga e José Macedo, cujo registo visual tem sido fundamental para documentar este momento histórico e dar visibilidade à intensa dinâmica marítima da Marina da Horta.

Quem chega à meta em primeiro?

Gosto de Fórmula 1. O problema não é o desporto, é a mensagem política. Num país sem recursos energéticos, onde se pede às famílias contenção, eficiência e mudança de comportamentos, gastar cerca de 50 milhões de euros para patrocinar a Fórmula 1 em 2026 e 2027 levanta uma pergunta simples: qual é, afinal, a meta?

Enquanto se avança devagar na eficiência energética, o programa E-Lar, no continente português, mobilizou 81 milhões de euros em duas fases para reduzir consumos, faturas e dependência externa, um investimento com efeitos duradouros. Em contraste, a Fórmula 1 consome quase o mesmo montante num evento pontual, de elevado impacto ambiental e retorno público discutível.

Aos cidadãos pede-se que abrande; ao espetáculo acelera-se. Fala-se em retorno económico, mas ignora-se que a eficiência energética poupa energia todos os dias, enquanto a Fórmula 1 dura apenas um fim de semana.

A transição energética é uma corrida de fundo, não um sprint mediático. Sem coerência entre discurso e escolhas, o país pode até passar a linha de chegada de um grande evento, mas afasta-se da verdadeira meta: reduzir a dependência energética e preparar o futuro.

Não faz mal…

O perigo da indiferença é precisamente este, acreditar que “não faz mal”, que “não chegam lá”. A história ensina-nos o contrário.

Enquanto escrevia estas palavras, surgiu na tela uma declaração do Ministro da Educação que me deixou incrédulo: “Quando metemos pobres a beneficiar de serviços públicos, esse serviço deteriora-se. É assim nas escolas, nos hospitais…”  Tenho pessoas conhecidas nos partidos da coligação governativa e gostava, honestamente, de saber o que pensam quando ouvem algo assim.

Onde vamos parar quando se normaliza um discurso que culpa os mais frágeis pela degradação do que é público? A arrogância de certas minorias, que quando lhes convém se aliam à extrema-direita, assenta na mesma lógica perigosa de dividir, de desumanizar, de excluir. Foi com ideologias semelhantes que se retirou a liberdade, se proibiu a cultura e se silenciou quem pensava diferente, porque um povo mantido na ignorância obedecia melhor.

Não fez mal, até fazer. Não chegaram lá, até chegarem. E quando se sentiu, já era tarde. Será que já não ultrapassamos o limite?

Published by João Garcia

Nascido na Freguesia da Matriz, ilha do Faial, a 23 de Outubro de 1967

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