Publicado no Jornal Incentivo de 31 de Dezembro de 2025
No dia 30 de dezembro de 2024 escrevi que o ano que então se iniciava deveria ser um ano de oportunidades para o Faial: um tempo para refletir, corrigir erros, cumprir promessas e preparar o futuro. Chegado o momento do balanço, importa revisitar essas notas.
2025 foi um ano marcado por eleições, demasiadas. Algumas poderiam e deveriam ter sido evitadas. A demissão de António Costa, por exemplo, não deveria ter conduzido a eleições legislativas; foi um erro que ficará registado na história da Presidência da República, cujas consequências ainda estão por escrever.
No plano interno, destacou-se a vitória da coligação PSD/CDS/PPM, liderada por Carlos Ferreira, com uma maioria expressiva e triunfos em 12 das 13 juntas de freguesia do Faial. Este resultado consolidou uma mudança clara no rumo político da ilha e criou condições para que 2026 possa ser um ano de concretização de projetos estruturantes.

No entanto, no Aeroporto da Horta, 2025 confirmou o padrão do adiamento. As obras na aerogare avançaram sem visão de médio e longo prazo, enquanto a ampliação da pista soma mais um ano sem concretização, apesar de o projeto se encontrar em execução. Não há compromissos claros da concessionária, o Governo da República fugiu às suas responsabilidades e o Governo Regional nem sequer cumpriu a sua parte financeira. Apenas o Município mantém o tema vivo. Quando não existe vontade política, nenhum projeto avança. Resta esperar que 2026 traga finalmente boas notícias, talvez impulsionadas pela privatização da Azores Airlines ou, quem sabe, usada como mais um conveniente bode expiatório.
Nas acessibilidades aéreas, 2025 foi um ano tristemente normal: estagnação, falta de lugares para Lisboa, cancelamentos frequentes, bagagens deixadas em terra e passageiros a perder ligações. As expectativas para 2026 são baixas, sobretudo após um concurso de Obrigações de Serviço Público que voltou a deixar o Faial e o Pico para segundo plano. Persiste apenas a esperança numa ligação Porto–Lisboa–Porto e numa promoção séria do destino Faial, especialmente na época baixa, onde a sazonalidade continua um pesadelo para os empresários.
No Porto da Horta, o balanço é claro: nada foi feito. Perdeu-se a oportunidade do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), enquanto milhões são investidos noutros portos da Região. Mantêm-se desculpas do passado e uma administração distante das necessidades da comunidade marítima faialense. O tempo perdido não se recupera, mas 2026 terá de ser um ano de ação, sabendo que, sem vontade política, nada muda.
Em contraste, as acessibilidades marítimas foram a boa notícia de 2025, com melhorias no transporte de mercadorias e passageiros, sobretudo na ligação do Triângulo. Ficou demonstrado que, quando há planeamento, é possível fazer melhor. O desafio agora é consolidar este caminho.
Na habitação e reabilitação urbana, importa reconhecer o avanço da Estratégia Local de Habitação da Câmara Municipal da Horta. Ainda assim, subsistem dúvidas quanto à capacidade de execução e ao risco de perda de fundos do PRR. Acresce o problema persistente do trânsito e do estacionamento no centro da cidade, ainda sem soluções estruturais. Para 2026, exige-se maior proatividade e ações concretas.
O património continua a ser o exemplo mais claro da falta de vontade política para com o Faial. Termas do Varadouro, Trinity House, Castelo de São Sebastião, Forte de Santa Cruz, Museu da Horta, entre outros, permanecem ao abandono, apesar do seu enorme potencial. Isto representa um desrespeito para com os faialenses.
Preocupa igualmente a situação da Escola do Mar, fragilizada pela perda de recursos humanos e pelo subfinanciamento, com reflexos no Tecnopolo–MARTEC. Impõe-se clarificar a visão e a estratégia para estes equipamentos fundamentais ao futuro da ilha.
Por fim, impõe-se uma reflexão profunda sobre a terceira fase da Frente de Mar. A experiência das fases anteriores demonstra que o investimento realizado não trouxe benefícios reais à cidade, pelo contrário, contribuiu para a sua descaracterização e para decisões urbanísticas desconectadas da vivência local. Avançar cegamente para uma terceira fase será repetir um erro evidente, enterrando mais dinheiro público sem retorno e comprometendo irreversivelmente a relação da cidade com o mar.
2025 foi afinal um ano de balanço. 2026 terá de ser, inevitavelmente, um ano de escolhas. O Faial não pode continuar refém do adiamento nem preso ao passado. O tempo do diagnóstico já passou. É tempo de agir, com coragem, responsabilidade e visão, para o bem dos faialenses e do futuro da nossa ilha.
Feliz Ano Novo!