O Gigante de Porto Pim

Parte II

Após o enterro do cachalote no Cabouco, a 500 metros de altitude, iniciou-se um processo de decomposição natural que, com o tempo, transformaria o gigante do mar em um legado científico e educativo. Três anos depois, chegou o momento de desenterrar o Cachalote.

No dia 18 de abril de 2016, deu-se inicio a escavação para recuperação das ossadas do cachalote, pela equipa do Parque Natural do Faial. Esta fase foi mais complexa que o inicialmente previsto uma vez que o animal ainda não estava completamente decomposto, devido as características do terreno e do clima, naquele local.

Em abril de 2016, as equipas do Parque Natural do Faial iniciaram os trabalhos exumação e recuperação esqueleto, liderados pelo especialista holandês em necropsias de cetáceos, Bas Perdijk, pessoa fundamental e preciosa em todo este processo, em colaboração com o Departamento de Oceanografia e Pescas. A tarefa revelou-se mais complexa do que o previsto, pois o Cachalote ainda não estava completamente decomposto devido às características do terreno e do clima no local. A colaboração entre diversas entidades foi essencial para o sucesso da operação.

O primeiro passo foi submeter os ossos a um banho químico de enzimas e bactérias, à temperatura ambiente, para eliminar a matéria orgânica. No entanto, a temperatura da água não atingiu os 22°C a 25°C ideais, comprometendo o processo. Para resolver o problema, improvisaram-se panelas gigantes, elevando a temperatura até 60°C e adicionando sabão e enzimas, permitindo que cada osso fosse cuidadosamente limpo.

O passo seguinte consistiu em um novo banho químico, desta vez em 2.000 litros de amónia a 25%. O resultado foi finalmente satisfatório, os ossos ficaram limpos e livres de gordura, prontos para a fase seguinte de montagem e preservação.

Com a limpeza concluída, iniciou-se a montagem do esqueleto. Este processo exigiu precisão e paciência, com cada osso sendo cuidadosamente posicionado para reconstruir a anatomia do cachalote. A montagem foi realizada na própria Fábrica da Baleia de Porto Pim, um local carregado de história e significado.

A Fábrica da Baleia, inaugurada em 1942 foi transformada em museu e centro de ciência, mantendo praticamente toda a sua maquinaria original. Desde 2004, é sede do Observatório do Mar dos Açores, que tem dinamizado o espaço, promovido imensas atividades de divulgação científica, bem como desempenha um papel fundamental na preservação do património baleeiro do Faial.

O esqueleto montado do cachalote, uma fêmea com 12 metros de comprimento, foi instalado na Sala Patrão Manuel da Fábrica da Baleia, tornando-se o único exemplar exposto nos Açores. Esta exposição proporciona aos visitantes uma visão única sobre a biologia e a ecologia dos cachalotes, além de servir como testemunho da história da baleação na região.

Hoje, o Museu da Fábrica da Baleia de Porto Pim é um espaço de memória e educação, onde a história da baleação se encontra com a conservação marinha. O esqueleto do cachalote, que um dia foi um gigante do mar encalhado em Porto Pim, agora vive como um símbolo da transformação e do legado deixado por aqueles que, com visão e esforço, transformaram um incidente trágico em uma oportunidade de aprendizagem e preservação.

Fontes e Fotos: Eng.º João Melo – OMA

Nota: Este projeto funcionou com o motor para a reabilitação da fábrica da baleia, bem como da maquinaria ali existente e o melhoramento dos conteúdos expositivos num valor estimado de um milhão de euros.

Published by João Garcia

Nascido na Freguesia da Matriz, ilha do Faial, a 23 de Outubro de 1967

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