Lula Gigante
No dia 5 de julho de 1955, o jornal Correio da Horta, publicado na ilha do Faial, nos Açores, trouxe à luz uma descoberta extraordinária: a presença de uma lula gigante da espécie Architeuthis Dux no estômago de uma baleia arpoada pelas canoas baleeiras locais. Este achado despertou grande interesse científico, especialmente por envolver o renomado investigador britânico Robert Clarke, que, na altura, se encontrava na região para estudar os hábitos alimentares dos cachalotes (Physeter macrocephalus).

As lulas gigantes, como a Architeuthis Dux, são uma parte importante da dieta dos cachalotes, um dos maiores predadores marinhos. O exemplar encontrado apresentava impressionantes 10,5 metros de comprimento e pesava 184 kg, sendo uma das maiores lulas já registadas no contexto da caça à baleia. Robert Clarke, que documentou o achado e realizou fotografias do molusco, utilizaria essas informações nas suas pesquisas pioneiras sobre as interações entre cachalotes e lulas gigantes, um tema que até hoje fascina cientistas e entusiastas da vida marinha.

Uma Lula com 10 metros e meio
Encontrada no estômago da baleia arpoada ontem pelas canoas do Faial.
Esta manhã, quando, na Fábrica de Aproveitamento de Baleias desta cidade, se procedia à abertura de uma baleia arpoada ontem, foi encontrado no estômago da mesma uma lula com 10 metros e meio de comprimento, que se calcula ser a maior até hoje encontrada dentro de uma baleia.
O cientista inglês Sr. Robert Clarke, que, como noticiámos, se encontra entre nós, esteve na Fábrica de Porto Pim a examinar o referido molusco e tirou algumas fotografias que servirão de ilustração de um trabalho que aquele cientista está a preparar sobre a lula da espécie Architeuthis Dux, o que está, no entanto, sujeito a confirmação, segundo informa o próprio cientista.

Lula Gigante
Completando a notícia que ontem demos acerca da lula de 10,5 metros de comprimento encontrada no estômago de uma baleia arpoada por uma das canoas baleeiras desta ilha, e que se calcula ser da espécie Architeuthis Dux, informamos que o referido molusco pesava 184 kg.
Robert Clarke (1905–1975)
Foi um renomado cientista britânico especializado em biologia marinha, particularmente no estudo de cetáceos, como os cachalotes (Physeter macrocephalus). É amplamente reconhecido pelas suas investigações sobre os hábitos alimentares dos cachalotes e a sua relação com lulas gigantes da espécie Architeuthis Dux. Clarke foi um pioneiro na descrição da ecologia de predadores marinhos de grande porte e da sua dieta, ajudando a desvendar o misterioso ecossistema das profundezas oceânicas.
Trabalhando extensivamente nos Açores e noutras regiões de intensa atividade baleeira, Clarke analisou o conteúdo estomacal de cachalotes, documentando a ocorrência de grandes lulas e outros organismos marinhos. Ficou conhecido pela sua abordagem interdisciplinar, combinando conhecimentos de biologia, oceanografia e práticas da indústria baleeira para enriquecer as suas investigações.

Um dos pontos altos da sua carreira foi a contribuição para o estudo das interações entre cetáceos e lulas gigantes, o que revelou que estas lulas são presas fundamentais para os cachalotes. As suas fotografias, artigos científicos e estudos de campo continuam a ser referenciados em investigações modernas sobre ecologia marinha.
Além do seu contributo para a ciência, Clarke era também um autor prolífico, publicando diversos artigos científicos e relatórios que exploravam tanto os aspectos biológicos como culturais da caça às baleias. O seu legado permanece uma fonte de inspiração no campo da biologia marinha.