Afinal Cristovão Colombo passou pelo Faial…

Casos da Semana

“Conde del Venadito”

Cruzeiro Conde de Venadito 
. Pintura de Esteban Arriaga López de Vergara

“Foi para aí objeto de muito cavaco, por parte do pasmatório local, a estadia nas nossas águas do cruzador Espanhol “Conde del Venadito”. A bordo deste barco de guerra são transportados a terra de Espanha os ossos de Cristóvão Colombo, o descobridor do Novo Mundo.

Voltam poeticamente embalados pelas ondas do mar que ele tanto amou, e iluminados pelo vivido fulgor das estrelas do céu em que confiava, mas vem entre blindagens de ferro e balas de morte, como há 400 anos “a lo servicio d`El-Rei”…

E eu não vejo com que coisa se honra a Espanha desenterrando da ilha de Cuba os ossos do Grande Navegador; ou que apêndice de glória vai nisso a Colombo!

Nós também temos no Panteão Nacional as cinzas do Cantor das nossas glórias, (ou as do seu “sapateiro” a rir-se daquela troça), sem que ninguém saiba em que vai nisso a glória de Luís de Camões, nem tão pouco a da ditosa Pátria.

Ai! Senhores! Se Cristóvão Colombo pudesse falar, como ele exclamaria num grito de indignação, sublime, repetindo aquele dito francês; “Pas de bavardage sur ma tombe!”

Mas, enfim, do século XIX o cruzador “Conde del Venadito” desembarcou em Sevilha os ossos do Cristóvão Colombo, o descobridor do Novo Mundo. O patriotismo espanhol não sofria, tê-los longe de si.

E escreva-se a História…

A proverbial hospitalidade do Faialense acolheu carinhosamente os marinheiros espanhóis e cercou de homenagem a urna que encerra as cinzas do Grande Navegador.

De todas as manifestações, porém a que, me verdadeiramente comove, a que não poderei nunca esquecer, é aquela primeira homenagem, singela e tocante, prestada nos mares da Europa à memória do Grande Marinheiro.

Uma Dama Faialense vai sem aparatos, e sem ostentações, pedir vénia ao comandante do cruzador, e depõe piedosamente uma cruz de flores naturais sobre as cinzas de Cristóvão Colombo.

Admirável proceder de um espirito sublime, que não terá a disputar-lhe a primorosa correção de sentida sinceridade de nenhuma das manifestações que a elevada compreensão do atual momento histórico poder inspirar.

Foi, a Exmª. srª. D. Maria Christina d`Arriaga.

Registe-se.”

“A Voz” 1899

Cruzador Conde de Venadito (1891-1902)

Desenho do navio cruzeiro 
Conde de Venadito

Facto Histórico:

  • Defesa de Havana em 1898, sob o comando do Capitão de Fragata Esteban Arriaga Amézaga.

Construção:

  • Estaleiros: Cartagena (1888)
  • Comprimento: 64–67 m
  • Boca: 9,4–9,7 m
  • Deslocamento: 1.150 toneladas

Características Técnicas:

  • Plataforma: Cruzador de terceira classe com gurupés e três mastros.
  • Propulsão: Máquina de 1.500 cavalos com 4 caldeiras.
  • Velocidade: 14 nós

Armamento:

  • 12 canhões:
    • 4 González-Hontoria (120 mm)
    • 2 (70 mm)
    • 2 Nordenfelt (57 mm)
    • 4 Hotchkiss (37 mm)
  • 4 metralhadoras Nordenfelt
  • 2 tubos de torpedo

Tripulação:

180 homens

Published by João Garcia

Nascido na Freguesia da Matriz, ilha do Faial, a 23 de Outubro de 1967

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