Varadouro sempre foi um lugar de encantos naturais e memórias vivas, mantendo-se como uma das joias da costa dos Açores. Tanto residentes como veraneantes desfrutaram de vários locais para banhos. As horas de lazer à beira-mar ficam gravadas em mim como momentos de convívio, aprendizagem e união familiar. O tempo não tinha pressa, a luz só chegou ao Varadouro no início da década de 70 do século passado e a televisão não fazia parte do quotidiano, apareceu muito mais tarde. Neste recanto da ilha do Faial, abundavam os pontos para banhos, cada um com sua história e charme próprios.
Os “Poções” destacavam-se como um dos lugares preferidos para mergulhos, com suas três áreas distintas: a “Banheira”, localizada além da entrada de água, a “Poça Grande” e a “Poça Pequena”, atualmente conhecidas como as Piscinas do Varadouro, e a “Poça de Fora”, virada a sul. Cada uma proporcionava experiências diferentes.
A Praia do Tirmo, dividida por um istmo de pedra, era uma testemunha da beleza natural, com suas grutas. Composta por pedras roladas e pequenas extensões de areia, a Praia Pequena, escondida atrás do Poço de Maré — agora transformado num pitoresco parque de merendas —, revelava-se um refúgio tranquilo. Por sua vez, a Praia Grande, também conhecida como o antigo Porto Velho, era a mais procurada, oferecendo condições ideais para um banho relaxante, sobretudo quando mar estava chão.

As escolhas dos locais para banhos no Varadouro estavam fortemente ligadas à meteorologia. Uma forte nortada não favorecia totalmente a Praia Grande, mas era ideal para o Tirmo; quando o mar estava agitado, a opção recaía sobre os “Poções”.
O Varadouro era e é um local excelente para um mergulho revigorante. O tempo parecia abrandar, e as preocupações desvaneciam-se ao som das ondas e à brisa do mar. Era uma época em que fatos de banho estampados estavam na moda, cada um mais colorido que o outro, refletindo a alegria daqueles dias.
A arte da natação não era dominada por todos. Muitos aventuravam-se timidamente nas águas, aprendendo a nadar com a ajuda de amigos ou simplesmente refrescando-se em áreas mais rasas; outros recorriam a boias, muitas feitas com câmaras de ar de pneus. Era comum ver grupos de pessoas a brincar na praia ou simplesmente a relaxar e conversar nas suas toalhas na areia. Os guarda-sóis pequenos, mas sempre coloridos, eram indispensáveis.

Aquelas idas à praia nos anos 70 e 80, do século passado deixaram memórias duradouras em muitos de nós, reminiscências de um tempo mais calmo e despreocupado, onde a única preocupação era desfrutar ao máximo da companhia de amigos e familiares.
As lavadias de Agosto eram momentos de desafio e aventura, especialmente nos “Poções”, onde enfrentar as grandes vagas começava com o batismo de todos os jovens, proporcionando diversão tanto para crianças como para adultos, até hoje.

Os mergulhos no Porto da Lapa eram outra tradição, especialmente entre os jovens, que encontravam também neste lugar o local ideal para pescar carapau e chicharrinho, enquanto aguardavam a chegada dos barcos de pesca.
Ao longo do tempo, o Varadouro sofreu várias transformações, como a Baía do Forno, um lugar de difícil acesso e pouco frequentado, mas que também contava com uma pequena praia de pedras roladas. Além disso, testemunhamos o desaparecimento das Praias do Tirmo e da Praia Pequena devido à erosão costeira. No entanto, o Varadouro mantém-se como um santuário natural que continua a encantar gerações de residentes, veraneantes e visitantes em busca de momentos inesquecíveis à beira-mar. Seja para um mergulho revigorante, uma pescaria tranquila ou simplesmente para contemplar a beleza da paisagem, este lugar mágico nunca deixa de surpreender e cativar aqueles que o visitam.