Por Florêncio José Terra
Homenagem e Despedida
Como presente de despedida para a família Dabney, um comité de pessoas da Faial, com uma notada predominância de rapazes generosos que então formavam o Gimnásio Club, promoveu uma homenagem pública, decidindo realizar uma regata na bonita baía da Horta. Esta ocorreu efetivamente no dia de São João de 1891 – 24 de junho -, que amanheceu admiravelmente. A Natureza parecia estar vestida com os seus melhores trajes de gala para se associar a essa manifestação, iluminando-a com bom sol e refrescando-a com uma forte brisa, a melhor para desfraldar bandeiras e impelir barcos à vela, espalhando brilho e vida por todo o lado. Bandas de música, fogos de artifício, os gritos e saudações das pessoas que vieram em abundância de toda a ilha e do Pico, e uma percebida emoção de nostalgia transformaram essa festa numa grande demonstração de afeto.

O próprio Sr. Samuel Dabney estava ao leme do seu belo iate, o Bayadére, durante a regata, e a família Dabney resumiu as impressões desse espetáculo admirável nas palavras que citamos abaixo, que enviaram para o jornal O Açoreano, onde foram publicadas em 28 de junho de 1891.

“Profundamente tocados pela manifestação de amizade que nos foi oferecida a 24 de junho, faltam-nos palavras que possam expressar a nossa apreciação e gratidão. O dia de São João será para sempre sagrado para nós, em memória da Faial, que não podemos recordar sem uma grande emoção.
Foi um dia triste para nós, porque não se pode recordar a despedida dos Açores e dos seus habitantes sem um profundo sentimento; mas foi um dia marcado por incontáveis provas de amizade generosa, a mais graciosa delicadeza e hospitalidade – atenção que está gravada indelévelmente nos nossos corações – e cenas de beleza, graça e orgulho que o tempo e a distância não podem apagar da memória. Pico e São Jorge ao longe, a bela baía da Horta coberta de veleiros e barcos a remos, as bandeiras felizes no mar e em terra, as bandas de música a tocar os hinos português e americano, e a enorme participação popular combinaram-se para formar um cenário de charme insuperável para nós.
Não podemos expressar o que sentimos e o quão profundamente tudo nos tocou; mas acreditamos que mesmo sem o expressarmos os nossos queridos concidadãos e amigos entenderão, pois certamente sabem que não há lugar no mundo tão querido para nós como é a Faial.
Não podemos terminar sem mencionar o nosso especial apreço pelas comoventes atenções do Gimnasio Club e dos senhores que lançaram a regata; a amorosa hospitalidade que nos foi concedida a bordo do navio de guerra Açor; e as gratificantes atenções das bandas de música; mas tais foram os sinais de amizade que é impossível enumerá-los. Esperamos que todos acreditem que a nossa gratidão será eterna”.
