Ao Abrir da Manhã – O CHEGA nos Açores fará parte do Governo?   

Nos últimos tempos, temos visto um aumento preocupante da extrema-direita em vários países, e Portugal não está imune a essa tendência. Este fenómeno é complexo, alimentado por uma mistura de fatores socioeconómicos, culturais e políticos. Destacam-se os muitos casos perturbadores de suspeita de corrupção, nos quais o populismo e a demagogia do Partido CHEGA encontram terreno fértil.

Historicamente, Portugal e os Açores em particular tem estado associado a políticas de centro, equilibradas e baseadas na liberdade individual. Contudo, recentemente, surgiram partidos e movimentos extremados, que se apoiam no descontentamento popular e promovem agendas próprias, demagógicas e populistas. As crises financeiras e sociais sucessivas e as suas consequências têm facilitado o ressurgimento destas ideologias, com cidadãos desiludidos à procura de soluções simplificadas para problemas complexos.

A narrativa antidemocrática adotada pelo CHEGA tem conquistado os eleitores desencantados, promovendo uma visão polarizada da sociedade. O discurso populista, caracterizado por um nacionalismo exacerbado e uma retórica antiglobalização, tem ganho terreno na política e tem sido muito visível na comunicação social. Diria excesso de protagonismo!

A ascensão do CHEGA em Portugal destaca a necessidade rgente de abordar as preocupações legítimas dos cidadãos, sem comprometer os valores democráticos e os direitos humanos. Um dos perigos associados a essa ascensão é a propagação de discursos de ódio e intolerância. Os movimentos de extrema-direita frequentemente exploram a xenofobia e a exclusão, dirigindo as suas frustrações para comunidades minoritárias e imigrantes. Isso não só ameaça a coesão social, mas também coloca em risco os princípios fundamentais da democracia e da igualdade.

Além disso, a ascensão do CHEGA tem impactos negativos nas relações internacionais. A promoção de políticas isolacionistas pode prejudicar a cooperação e a solidariedade entre países, enfraquecendo a União Europeia, sendo este um dos principais objetivos da extrema direita na Alemanha e na França.

É essencial abordar as causas subjacentes ao surgimento destes movimentos, como o CHEGA, como as desigualdades económicas e sociais, ao mesmo tempo que promovemos um diálogo aberto e inclusivo. Fortalecer a educação cívica e a sensibilização para os perigos do extremismo é crucial para construir uma sociedade mais resiliente e resistente à manipulação por agendas radicais.

Em última análise, a ascensão do CHEGA é um lembrete da importância de cultivar sociedades baseadas em valores democráticos, respeito pelos direitos humanos e inclusão. É um apelo à ação coletiva para salvaguardar os fundamentos da paz e cooperação na região.

É por isso que o PSD Nacional e o PSD Madeira recusaram acertadamente qualquer acordo pós-eleitoral com o CHEGA, estabelecendo linhas vermelhas. No entanto, nos Açores, José Manuel Bolieiro, ao não partilhar dessa visão, comete o maior erro político na história da nossa autonomia e do PSD Açores, ao normalizar ações e discursos que atentam contra a liberdade das mulheres, contra a imigração, contra a proteção dos mais desfavorecidos, negam as alterações climáticas e favorecem tendências autoritárias, com ênfase na ordem e autoridade centralizada.

Se a Coligação vencer as eleições, fica a incerteza sobre a configuração da futura governação regional nos Açores: teremos uma coligação composta por três partidos, ou o CHEGA também fará parte do Governo Regional? A resposta dependerá das negociações pós-eleitorais e das alianças formadas entre os partidos envolvidos.

Eu digo que depende de cada um de nós!

Publicado no Jornal “Incentivo” de 29 de Janeiro de 2024

Published by João Garcia

Nascido na Freguesia da Matriz, ilha do Faial, a 23 de Outubro de 1967

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