Circuito dos Baleeiros – Abandonado  

A 7 de julho de 2012, exploramos pela primeira vez o Circuito Pedestre dos Baleeiros, na freguesia do Capelo. Após meses de trabalhos, de instalação de sinalização informativa, procedeu-se à recuperação da Vigia, à construção de o banco do “Vigia”, tal como os antigos. Os binóculos de longo alcance não foram esquecidos. Foi uma tentativa de dar a quem por ali caminhasse uma experiência única.  

Este novo trilho foi aberto em “homenagem aos destemidos pescadores de baleias que, na época, desafiavam as perspetivas numa atitude que ia para além do puramente comercial. Sempre que partiam para a faina, a população e as famílias reuniam-se no cais para um adeus que poderia muito bem ser o último. As verdadeiras lutas pela sobrevivência entre estes gigantes e os frágeis baleeiros em barcos de boca aberta deram origem a lendas perpetuadas até aos dias de hoje, fruto da bravura destes homens”, podia ler-se na brochura que apresentava o circuito. Com 3.9 km de extensão, o circuito era de baixa dificuldade e podia durar aproximadamente duas horas. 

Ao longo deste percurso, sentia-se o significado da alma baleeira e a forte ligação que existia entre estes homens, o mar e os seus “leviathans”. O circuito incluia pontos-chave da freguesia do Capelo, começando mesmo ao pé do Centro de Interpretação, passando pela vigia das Concheiras e do Costado da Nau. 

Este circuito podia ser feito com um guia do Centro de Intrepertação do Vulcão dos Capelinhos, que auxiliava na interpretação do mesmo, fornecendo também informações sobre a fauna e flora que os visitantes podia encontrar ao longo dos quase 4 quilómetros. Todas as informações ao longo do circuito estavam disponíveis também em braille. 

A título de curiosidade, este circuito passava por uma eira que foi recuperada pela Junta de Freguesia. As eiras desempenhavam antigamente um papel importante, quer para a agricultura, quer para a vida social das nossas gentes. Eram o local que as pessoas usavam para malhar os cereais e para as festas. 

Outro dos locais emblemáticos que se visita ao fazer este percurso é a Vigia das Concheiras, que teve um papel fundamental na deteção de cetáceos que passavam por esta zona da ilha. A sua vasta abrangência permitia ver as baleias até à Praia do Norte. A Vigia do Costado da Nau, sobranceira ao Farol dos Capelinhos, é outro dos ícones a visitar. Apesar de ter sido destruída com a erupção, ainda hoje permite ter uma visão esplêndida de toda a zona. Este foi ainda o primeiro sítio onde se viu o início da erupção dos Capelinhos. 

Infelizmente, este local foi deixado ao seu destino, representando mais um investimento perdido e uma diminuição da oferta turística de qualidade. Desconheço as razões, mas nesta ilha, como em outras, naturalmente, deparamo-nos com demasiadas situações idênticas, sem que alguém esteja disposto a assumir a responsabilidade. Pois descerrar uma placa é fácil, dá um retrato e uma noticia, mas manter é bem mais dificil.

Published by João Garcia

Nascido na Freguesia da Matriz, ilha do Faial, a 23 de Outubro de 1967

Leave a Reply

Discover more from Assim c´má Sim Blog

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading