Ao Abrir da Manhã – Estabilidade e Coragem!

Após as eleições legislativas regionais de 2020, o Representante da República para os Açores escolheu entregar o poder da Governação a uma coligação (pós-eleitoral) de partidos de direita, formada pelo PSD, CDS, PPM, com o apoio do CHEGA e da Iniciativa Liberal. Isso ocorreu apesar do Partido Socialista ter sido o partido com maior número de votos. Dessa maneira, constituiu-se um Governo de Coligação, seguindo o modelo da “Geringonça” liderada por António Costa a nível nacional entre 2015 e 2019. Na minha opinião, essa solução nunca deveria ter sido adotada, no entanto, acabou por ser replicada aqui nos Açores, sendo sustentada por acordos que vieram a revelar-se focos de instabilidade e descrença para a solução encontrada.

Ora, então o que mudou nos Açores e em particular na ilha do Faial nestes últimos três anos, com este modelo de governação?

Perdemos peso político, algo que sempre critiquei nos Governos do Partido Socialista, mas que nunca foi tão mau, como foi com este Governo. A pasta da Agricultura e do Ambiente voaram para a ilha Terceira, assim como a Direção Regional das Comunidades para São Miguel. Fomos iludidos com a criação da Secretaria Regional da Cultura, da Ciência e Transição Digital, que repentinamente sem uma explicação viu a sua titular, única da ilha do Faial, substituída e as pastas repartidas pelas duas ilhas maiores.

Foi o Governo com as mais baixas taxas de execução da história da autonomia na ilha do Faial. Nos últimos três anos não foram capazes de iniciar uma única obra pública da responsabilidade deste Governo Regional, limitando-se a concluir o que tinha sido iniciado pelo Governo liderado pelo Partido Socialista na anterior legislatura.

Mesmo os mais estruturantes projetos para a ilha do Faial, como é caso da Variante à Cidade da Horta, inscrita no PRR pelo Partido Socialista, apesar de lançamento já no período de gestão, a verdade é que o processo está, lamentavelmente, condenado a arrastar-se por muito tempo.  Concretizando; os processos de expropriação não estão concluídos, mesmo os proprietários que aceitaram a expropriação não receberam, até ao momento nenhuma indicação do estado dos seus processos e são muitos os proprietários que irão litigar nos Tribunais.

Outras duas obras estruturantes, são a ampliação do aeroporto da Horta e o Porto da Horta. Quanto à ampliação do aeroporto da Horta, o processo foi lento e não andou como esperado, constando que o Governo Regional, ao contrário do Governo da República, ainda não transferiu o dinheiro para Câmara Municipal da Horta. Esperava muito mais de quem disse que “faria diferente e melhor”. Quanto ao Porto da Horta, faltou ao Governo liderado por Manuel José Bolieiro a coragem e a capacidade de liderança, resultando numa total ausência de propostas ou de qualquer reflexão sobre o tema, abandonando uma vez mais o Faial.

No que concerne aos transportes, reconheço que melhorámos na mobilidade aérea entre ilhas, com a tarifa Açores, especialmente na época baixa. Mas não melhorámos nada no Verão IATA.

No que concerne à Azores Airlines, a reivindicação das 14 ligações semanais a Lisboa entrou num estranho modo silencioso, tal como acontece com os telemóveis. Não foram repostos os 14 voos com Lisboa, como prometido, não houve nenhuma tentativa de abrir novas rotas ou de incluir nas obrigações de serviço publico a rota Porto/Horta/Porto, continuando o pesadelo das bagagens não transportadas e dos voos cancelados, ou seja, nada mudou com o Governo da coligação PSD/CDS/PPM.

Relativamente ao transporte marítimo, é claro para qualquer faialense, que perdemos a coesão regional com o fim dos Ferrys. No que respeita ao transporte de mercadorias a ilha do Faial, em mais de trinta anos, nunca esteve tão mal servida. Uma frota envelhecida e um modelo que não serve o Faial e nem os Faialenses. Infelizmente esta coligação perdeu-se nas “guerrinhas” dos acordos, evidenciando permanente instabilidade, quando o que nós necessitávamos e necessitamos, de uma vez por todas, é de uma solução nos dê segurança e estabilidade nas medidas e na vontade de colocar os Faial e os Faialenses em primeiro lugar, com coragem e sem desculpas.

Publicado no Jornal “Incentivo” Online de 22 de Janeiro

Published by João Garcia

Nascido na Freguesia da Matriz, ilha do Faial, a 23 de Outubro de 1967

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