11 de Junho de 1941 – 2 de Maio de 2007
Tomás Mota, que conheci como “Pai” Tomás, foi com ele que saí pela primeira vez para a pesca profissional. Homem habilidoso, de características invulgares, foi mestre no mar e em terra. Um verdadeiro artesão do Capelo.

Foi baleeiro, homem do risco e da coragem, profundo conhecedor do mar. Gostava muito de ensinar e partilhava o seu saber com generosidade. Os jovens adoravam aquele Senhor Pescador, porque com ele aprendiam mais do que a pesca: aprendiam valores, respeito e sobretudo como ter uma paciência infinita.
Entre as muitas pescas de que mais gostava, destacava-se a marca do varadouro, onde enchia a lancha de chicharro. O Varadouro foi a sua casa, era ali que o podíamos encontrar, na sua “barraca”, sempre ligado ao mar e à vida simples que escolheu viver.
Era como um lobo do mar, hábil, atento, firme nas decisões, mas sempre humano e próximo. A sua palavra tinha peso, não pela dureza, mas pela experiência de uma vida inteira vivida com dignidade e trabalho.
Foi também um dos melhores artífices de muros de pedra do Faial, deixando obra feita que ainda hoje fala por si. Entre muitas realizações, destaca-se a casa típica ou etnográfica do Parque Florestal do Capelo, testemunho da sua mestria, do seu saber e do profundo respeito pela tradição.
Mestre Tomás deixou uma marca que o tempo não apaga, no mar, na terra e na memória de todos os que com ele aprenderam.