Publicado no Jornal Incentivo de 26 de Março de 2026
Mercadorias
Quando surgiu o novo modelo de transporte marítimo, a lógica parecia simples: mais barcos, melhor serviço. O elogio foi, talvez, precipitado da minha parte. Hoje, a realidade é outra e importa reconhecê-lo. Foi o presidente da Câmara do Comércio e Indústria da Horta, Francisco Rosa, quem expôs com clareza o problema: falta de previsibilidade e impacto direto nos empresários. Não se trata de opinião, mas de factos. O Faial volta a sair prejudicado. Mais navios trouxeram mais escalas, maior complexidade e menor eficiência. O resultado traduz-se em atrasos, tempos de espera mais longos e incerteza na receção de mercadorias. Numa ilha, isto não é um detalhe é estrutural.
Azáleas

Este ano apresentam-se particularmente vistosas, conferindo um colorido marcante às nossas estradas e evidenciando o potencial do espaço público quando há cuidado e atenção. Este cenário demonstra que a valorização da paisagem não depende apenas da natureza, mas também de manutenção contínua, como podas atempadas, limpeza regular e acompanhamento das espécies ao longo do ano. Só assim se preserva e valoriza verdadeiramente a imagem da ilha. Talvez seja oportuno recuperar uma lógica semelhante à dos antigos cantoneiros, dividindo o território em zonas com responsáveis definidos. Com organização e planeamento a médio prazo, seria possível, de forma relativamente simples, devolver dignidade às vias, melhorar a imagem do território e preservar uma paisagem que é também identidade e cartão de visita do Faial.
Ribeira da Conceição

O problema na foz da Ribeira da Conceição mantém-se e repete-se: assoreamento, águas estagnadas, maus cheiros e uma praia sem areia nem limpeza adequada. A falta de circulação da água agrava a situação e evidencia a ausência de intervenção atempada. Continuar a apontar o molhe norte como única causa já não é credível. O desassoreamento regular permitiria melhorar o escoamento, reduzir odores e criar condições para recuperar o areal. A recarga de areia deve ser assumida como solução natural, tal como acontece noutras ilhas. O problema agravou-se nos últimos anos e, tudo permanece inalterado. Sem limpeza eficaz da foz da ribeira, a praia perde-se, a freguesia perde, o espaço degrada-se e a resposta continua por surgir, quando o verão se aproxima a passos largos.
Semana Sustentável

Numa cidade onde o espaço público nem sempre reflete o cuidado que merece, importa sublinhar que a degradação não se resume ao lixo, mas também à forma como se preserva o que é comum. Numa ilha, essa responsabilidade ganha ainda maior relevância: a coisa pública deve ser exemplo. Persistem situações preocupantes, como a acumulação de resíduos junto a contentores, onde a responsabilidade é necessariamente partilhada. Não se pode esperar que tudo dependa de uma única entidade. A Semana Sustentável promovida pela Câmara Municipal da Horta merece, por isso, reconhecimento. Mais do que um programa, é um alerta para a importância dos gestos individuais. A participação na limpeza da orla costeira, mesmo em condições adversas, demonstrou sentido cívico. Mas revelou também um problema crescente: o aumento de resíduos plásticos no mar. Cuidar da ilha é uma responsabilidade coletiva.
Farol da Ribeirinha

Passados quase 28 anos sobre o sismo de 9 de julho de 1998, é difícil aceitar que o Farol da Ribeirinha continue ao abandono. Volto ao tema que abordei aqui em 2024, pois a situação mantém-se inalterada. Décadas de promessas, estudos e intenções, incluindo propostas para consolidação das ruínas e criação de um espaço museológico, as quais não tiveram tradução em ações concretas. A lanterna instalada em 1999 assegura a função marítima, mas não substitui o valor patrimonial do edifício original. Nem a mobilização da comunidade, expressa no abaixo-assinado de 2001, foi suficiente para alterar o rumo dos acontecimentos. Persistem as mesmas dúvidas: falta vontade política, prioridade ou sentido de responsabilidade? O tempo passa e o património degrada-se. Cada ano sem intervenção representa mais um passo na perda de um símbolo histórico.
Castelo da Rocha Negra
Também conhecido como Casa dos Lacerdas, na freguesia dos Cedros, é um raro exemplar de arquitetura solarenga dos séculos XVII–XVIII, reconhecido pelo seu valor histórico e cultural. Classificado como Imóvel de Interesse Público em 2020, continua, no entanto, em avançado estado de degradação, situação já anteriormente denunciada. Passados cinco anos, impõe-se uma questão essencial: que medidas concretas foram implementadas para a sua preservação? Entre intenções, estudos e processos administrativos, a realidade no terreno pouco ou nada foi alterada. Mais do que um testemunho do passado, este imóvel representa um teste à capacidade de proteger o património dos Açores. A inação prolongada compromete a memória coletiva e aumenta o risco de perda irreversível. Torna-se urgente passar das intenções à ação.

Fonte: https://ecocedrense.blogspot.com/2013/01/castelo-da-rocha-negra_13.html
É preciso agir – Farol da Ribeirinha toca-me pessoalmente porque com 6 meses de idade vim do Nordeste morar para o Farol! O meu pai era Faroleiro e posso afirmar que o Farol foi a primeira casa que conheci. Brinquei com amigos que ainda hoje o são, e conheço muitas pessoas na Ribeirinha. Costumo dizer que a Ribeirinha é, além do Capelo, a minha freguesia do Coração.
Lamento muitíssimo ainda não terem recuperado o Farol!!! O ano passado falei com o Presidente da Junta de Freguesia. Tinha intenção e penso que projeto mas… faltava o resto.
Os governos sucedem-se e não se vê obra. E se lançasses um abaixo assinado tal como foi para as Termas!? Afinal também poderia ser um ponto turístico com retorno económico! Beijinho Obrigada