Publicado no Jornal Incentivo de 18 de Junho de 2025
Parque Escolar
Com as eleições autárquicas à porta, começam os discursos, comunicados, anúncios e as tentativas de reescrever a história. No caso das escolas do Faial e como “quem não se sente, não é filho de boa gente” importa dizer que o parque existente não foi construído agora, foi durante o tempo em que muito dizem que não se fez nada.

A nova Escola Secundária Manuel de Arriaga, a EB/JI António José d’Ávila, a Escola da Vista Alegre, a Escola Profissional da Horta, a transformação do antigo Hospital Walter Bensaúde no Departamento de Oceanografia da Universidade dos Açores, e ainda as reabilitações nas escolas do Capelo, Castelo Branco, Feteira, Flamengos e Cedros foram fruto de trabalho sério, planeamento e colaboração entre autarquias e Governo Regional. Não caíram do céu! Se há escolas para manter, é porque houve obras e construções nesta ilha.

O que me custa é ver tanto do que foi feito cair no abandono por falta de manutenção, resultado de atrasos evitáveis, sobretudo na aprovação de candidaturas. Durante os últimos cinco anos, pouco se fez. Agora, à pressa, aparecem obras e promessas como se fosse tudo novo.
STARTUP FAIAL
A Câmara Municipal da Horta viu finalmente aprovada a candidatura a fundos comunitários que irá reabilitar um edifício no centro da cidade e transformá-lo na STARTUP FAIAL, uma incubadora de empresas. Este espaço terá condições para acolher 60 postos de trabalho, num investimento que ronda os 900 mil euros. O projeto visa apoiar os empreendedores locais, especialmente os jovens, incentivando a criação de emprego e a diversificação económica. A Câmara reforça ainda o apoio financeiro direto às empresas, com o objetivo de promover a inovação e o desenvolvimento da nossa ilha.
Esta é uma boa notícia para o Faial e um estímulo à nossa economia.
O Mar que dá nome à festa
A Semana do Mar nasceu da paixão náutica, do desejo de celebrar a nossa ligação profunda com o oceano que nos rodeia. Era, acima de tudo, um festival do mar. Mas, nos últimos anos, tem-se assistido a um desequilíbrio crescente: enquanto a festa em terra cresce, as atividades náuticas perdem protagonismo.
Não se trata de desprezar a animação cultural e os concertos, naturalmente importantes para a economia local e para o convívio. Mas quando o mar passa para segundo plano numa festa que o celebra no nome, algo está errado.

A Semana do Mar merece ser repensada com equilíbrio. O programa náutico deve ser reforçado, valorizado e promovido. É ele que lhe dá identidade, autenticidade e diferenciação. O Faial é mar. E o mar deve continuar a ser o centro desta semana, e não apenas o pano de fundo. Palavras e intenções não nos servem. O Festival Náutico nunca foi tanto desvalorizado, digo com conhecimento de causa e propriedade.
O abandono total das nossas estradas
Já escrevi sobre este assunto, mas o problema agravou-se. As estradas da nossa ilha, outrora cuidadas como jardins, transformaram-se num matagal, onde até os sinais de trânsito são engolidos pela vegetação. As hortênsias, antes distintas e belas, perderam-se no meio do caos. As flores desaparecem sob plantas invasoras que crescem ao sabor do descuido.

Todos nós gostamos de ver o exterior das nossas casas arrumadas e os nossos jardins impecáveis. Por isso, é triste para qualquer faialense ver o que antes era um orgulho transformado em abandono, por falta de recursos humanos, materiais e financeiros.
E isto, sem falar dos pisos das estradas, provavelmente as piores dos Açores!
Atlantis Cup – Regata da Autonomia
Está apresentada a 36.ª edição da mais bela e maior regata dos Açores, a Atlantis Cup – Regata da Autonomia, que decorrerá entre 26 de julho e 3 de agosto. Este ano, a prova liga São Miguel, Terceira, Graciosa e Faial, celebrando a paixão pelo mar que une as nossas ilhas. Com o Alto Patrocínio da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, esta regata é muito mais do que uma competição — é uma verdadeira festa da nossa cultura, história e espírito comunitário.

O Clube Naval da Horta mantém viva esta tradição com muito esforço e dedicação, reforçando os laços entre os açorianos, mostrando a beleza do nosso arquipélago e honrando o legado das nossas comunidades marítimas.
Impacto Visual
Volto ao tema porque, de facto, a Estrada Príncipe Alberto de Mónaco, uma das principais vias de acesso à cidade, é um péssimo exemplo de organização. Transformou-se num verdadeiro mercado a céu aberto, onde outdoors publicitários e placas se acumulam, quase sem espaço entre eles. Anunciam de tudo, criando uma imagem confusa e negativa do que realmente somos.
Uma ilha como a nossa merece uma abordagem diferente mais cuidada, organizada e que valorize a nossa identidade, em vez de a degradar. É urgente repensar esta porta de entrada na nossa Cidade e devolver-lhe a dignidade.
NEO, mas não aqui
As novas aeronaves da SATA, os A320NEO, continuam sem operar nas rotas do Faial e do Pico, alegadamente devido a limitações operacionais nos nossos aeroportos. No entanto, mais do que um problema técnico, este tem sido um caso de silêncio desconfortável. Afinal, tratava-se de aviões comprados para substituir os antigos A320CEO, já perto do fim da sua vida útil — uma mudança que prometia melhorias, mas que até agora só levantou dúvidas.
Fica a questão: como pretende a SATA resolver esta situação? E quem assume a responsabilidade, se se confirmar que estes aviões afinal não servem os aeroportos das ilhas que mais deles precisam?

Há assuntos que permanecem envoltos num manto de silêncio e este é só mais um deles. Falta uma comunicação clara, transparente e eficiente. O mais grave é que estas rotas, Faial e Pico, têm sido sempre tratadas como o “patinho feio” da SATA. Um problema para companhia, sempre esquecidas e desvalorizadas, ano após ano. E isso não é culpa exclusiva deste Governo Regional, nem apenas dos anteriores: é um padrão de comum a várias outras áreas. Onde se divide para reinar ou simplesmente se centraliza.
Estamos a falar de uma companhia pública e de um serviço público essencial à coesão regional. As pessoas destas ilhas merecem respostas. E, sobretudo respeito.
Muito bom. Esqueceste-te de algumas mas estou a registá-las e depois mando. Que a voz nunca te doa! Abraço