Morte d’um baleeiro fayalense que muito navegou
Do Republican Standard do dia 1 de Agosto de 1907 e que se publica em New Bedford, transcrevemos o seguinte:
“Na avançada idade de 70 anos faleceu no hospital de St. Luke, quinta-feira, à noite, de uma breve doença, o Capitão John Rogers, um dos baleeiros de New Bedford, que mais tem navegado.

Apenas esteve doente três semanas, e, apesar da sua robusta constituição lhe prolongar a vida, contra a expectativa dos médicos assistentes, os efeitos da operação a que foi sujeito, foram ultimamente os mais fortes vencendo a sua robustez.
Nascera o Capitão Rogers no Fayal, e na idade de 15 anos partiu, pela primeira vez, na baleieira americana.
Fez muitas viagens, em que grande parte delas e as invernosas bem difíceis, tendo naufragado várias vezes.
A última viagem foi no Sea Ranger, propriedade dos Bartletts, a qual perdeu-se na costa de Alaska em 1892. A tripulação salvou-se; mas ninguém conseguiu salvar qualquer objeto do vestuário.
Depois disto o Capitão Rogers retirou-se, apesar de cheio de comodidades, mas como o acontecido o afligia, a inação era-lhe desagradável e, assim, associou-se com seu filho John F. Rogers, já falecido, estabelecendo-se como comerciante, negócio que manteve até oito ou dez anos atrás, quando resolveu retirar-se.
O Capitão Rogers viveu a maior parte da vida nesta cidade, à exceção de alguns anos em que residiu quando novo em East Taunton, e dizia sempre que a sua pátria era New Bedford.

O seu grande estudo d’um rudimento feito pelo próprio pai de Rogers, pouco tempo antes de sua morte, ficou sempre por fazer.
John Rogers nasceu no Fayal e partiu na idade de 15 anos para os Estados Unidos e como ajudante embarcou na barca United States do comando do capitão Thomas Wilcox, de Stonington. Embarcou no Fayal, como marinheiro, e a primeira viagem foi para South Shetland. O navio voltou a Stonington no ano de 1853 com 1.500 barris d’azeite e o jovem Rogers em seguida reembarcou no mesmo navio fazendo desta sorte outra viagem. Em 1855 embarcou na Tiger, o navio foi para pescar no estreito de Okhotsk, e em 1856 deixou este navio em Honolulu para embarcar na barca Restless. Navegou neste navio seis meses entre Honolulu e San Francisco.
A seguir embarcou no Nile que viajava para Manila e mais tarde foi ao Ártico no mesmo navio. Em 1857 embarcou na barca Metropolis e fez de terceiro piloto, com o capitão Comstock, para a costa da Califórnia. Em Honolulu passou para o patacho Victoria, capitão Fish, em viagem ao Ártico, ainda com 18 anos de idade. As suas seguintes viagens foram na barca Neptune, capitão Comstock e na barca Vernon, capitão Fisher. Depois embarcou na barca Benjamin Rush, com o capitão Fisher e no inverno de 1861 chegou de novo a Honolulu! Seguiu-se uma viagem de 2 anos no Okhotsk com o Capitão Moore na barca Emily Morgan.
A 20 de dezembro de 1862 saiu este navio para outra viagem e voltou em 25 de março de 1864.
Em seguida embarcou para a barca Lyra e dali embarcou para o Ártico a bordo do Cornelius Howland.

Em novembro de 1866 embarcou no mesmo navio e em 1867 salvou-se d’um naufrágio no estreito de St. John.
Em 1875 foi de New Bedford e chegou, em 20 de dezembro de 1868, a embarcar na barca Ouwarzi e na barca Daniel Webster. Bulney no Ártico, e durante esta viagem visitou o Japão, e a 13 de dezembro de 1870 no Reindeer desta cidade, como primeiro piloto com o capitão Lovellin. A 10 de setembro de 1871 este navio e mais outros 32 perderam-se no Ártico fora da Pont Belcher.
Dez dias depois abordava a barca Arctic que recolheu a todos os náufragos, e deste navio passaram para outros que foram transportados para Honolulu. Chegado ao Stonington em 1872 onde pilotou para outra viagem de 2 anos ao Ártico.
A sua primeira viagem de piloto foi na barca Illinois, em 1873, e em 1876 achando-se sentado na Merino, este navio foi sobre a Illinois afundando-a 50 milhas ao norte do Cabo de Patles. Per esta época homem e a Merino com somo 36 sobreviventes foram safados e a frota encalhada pelo gelo tendo sido abandonados neste mês 12 navios. Este caso deu-se fora da baía de Harrison, e como estavam em terra, e depois do comandante cair sobre o gelo, Rogers e os seus companheiros chegaram a Point Barrow onde encontraram três navios – as barcas Rainbow, Florence e Three Brothers.
Seguiu-se outra viagem na barca Progress como primeiro piloto, com o capitão Lapham, e depois d’uma bela viagem passava a barca Coral em 1879.
Saiu-se novamente na Progress em 1880, e em 1882 embarcou na Mary & Susan capitão Barker, e como primeiro piloto.
Em 1883 embarcou em São Francisco na barca Francis Low para o Ártico onde passou vários anos.
Voltando a New Bedford foi dono d’aquele mesmo navio e possuía a barca James Howland e outros que vendeu para o Fayal.
Finalmente embarcou no Mary & Susan e em novembro de 1889 embarcou de capitão na barca Tamerlane d’este porto. A sua última viagem foi na Sea Ranger em 1892 saindo de S. Francisco com capitão Foley para o Ártico; no verão d’aquele ano o navio perdeu-se, mas a tripulação conseguiu salvar-se.
Tinha morrido um tripulante e só se retirou do Ártico ao tempo que todo o gelo permitiu. A tripulação salvou-se em suas botes, mas tiveram imensa dificuldade ao obter viveres.
O capitão Rogers voltou no automóvel à cidade e de então até hoje viveu em terra.
Conseguiu e negociou com grande fortuna e seu comércio ficou a seu filho J. F. Rogers, apagou-se mediante 18 anos, e era vulgarmente conhecido e estimado.
Deixa vivo e dois filhos, um filho e filha.”

Fonte: Jornal “O TELEGRAPHO ” de 30 de Agosto de 1907