Na ponta Oeste da ilha do Faial, encontramos uma pequena Calheta (ancoradouro seguro ou pequena enseada), formada há centenas de anos por uma escoada lávica, junto à terra mais jovem de Portugal. A Ponta Comprida, assim descrita na cartografia do século XVIII, frequentada desde o povoamento desta ilha, é um lugar singular, pela sua história, aberto na rocha, entre as falésias e o mar, foi durante séculos um lugar isolado, mas carregado de memórias e histórias.
A partir do ano 1884 reunia-se uma comunidade de baleeiros, durante os meses de Verão, em habitações de pedra cobertas com palha de trigo, mantendo as suas canoas varadas na rampa do porto.
O núcleo habitacional do porto do Comprido alojava baleeiros das ilhas do Faial, do Pico e de São Jorge. “Neste aspeto, aparentemente singular, o porto do Comprido poderia ser comparado com outros postos baleeiros espalhados por zonas inóspitas do globo.”
Até ao Vulcão dos Capelinhos em 1957, desenvolveu-se uma intensa atividade baleeira e piscatória, encerrada pela força da natureza.
Na década de 70, do século passado, retomou-se a atividade da pesca, facilitada pela melhoria dos acessos, pequenas embarcações costeiras, utilizavam aquela infraestrutura para a pesca artesanal, de março a julho. Retirando-se daquele local para o Porto do Varadouro a partir do mês de agosto – “primeiro dia de agosto, primeiro dia de Inverno.”
Tive o privilégio de “arriar” naquele porto durante vários anos, com homens do mar, que conheciam as manhas e formas trabalhar naquele porto como ninguém. Muito aprendi e a eles devo uma época gratificante e feliz da minha vida.
Hoje, temos de saber preservar estas memórias, de as reavivar, deixando espaço para que o Portinho do Comprido seja um lugar de memórias e tradições, tendo a sabedoria de permitir coexistir as diversas atividades, sem lhe retirar a naturalidade e a identidade.
Assim c´má sim estamos por aqui apenas de passagem…

