Morgado José Francisco Terra Brum
Morgado José Francisco da Terra Brum, fidalgo da Casa Real por sucessão de seus ascendentes, foi Capitão-Mor do Faial (patente de 14 de março de 1818, quando o seu primo, o morgado Jorge da Cunha Brum Terra e Silveira, foi promovido a coronel de milícias, deixando por esse motivo o cargo de Capitão-Mor).

Após a implantação do regime liberal, em 1832, foi nomeado pelo Imperador D. Pedro IV coronel de voluntários. Pelo governo de D. Maria II foi agraciado com a carta de conselho e o título de Barão de Alagoa em duas vidas, por decreto de 22 de dezembro de 1841.
Foi casado com D. Francisca Paula Brum da Silveira Terra Leite e Noronha, sua prima, filha do morgado, fidalgo e cavaleiro da Casa Real, Doutor da Capela, João José Brum, e de D. Marianna Victoria de Noronha, da ilha Terceira.

Foi este morgado José Francisco da Terra Brum muito perseguido pelas suas ideias liberais, tendo sido preso e enviado para São Miguel com outros liberais desta ilha do Faial, e daí para Lisboa, regressando depois a São Miguel para serem julgados. Contudo, foram postos em liberdade quando a divisão liberal entrou em Ponta Delgada, após vencer a batalha da Ladeira da Velha, regressando em seguida à sua casa nesta ilha.
Quando o Conde de Vila Flor, mais tarde Duque da Terceira, ocupou militarmente esta ilha em nome de Sua Majestade a Senhora D. Maria II, o morgado Terra ainda se encontrava preso em São Miguel. No entanto, este grande caudilho da causa liberal foi hospedado em sua casa pela sua família.
Quando, porém, o Imperador D. Pedro IV, que veio em 1832 inspecionar os trabalhos da armada que se preparava no arsenal de Santa Cruz e que levou os 7.500 soldados liberais à Arenosa de Pampelide, designação então usada para a extensa faixa de areais junto ao Tejo, entre Belém e Alcântara, nos arredores de Lisboa, local escolhido para o desembarque das tropas liberais, já se encontrava no seio da sua família, teve a distinta honra de hospedar em sua casa o próprio Augusto Senhor e a sua comitiva.

O Imperador, regressando depois à ilha Terceira e sabendo que o Morgado Terra oferecia todos os anos um grande baile no dia de aniversário da sua filha mais velha, D. Joaquina Emília, a 22 de maio, e querendo dar ao Morgado Terra uma prova de consideração, veio aqui nesse mesmo dia no vapor Superb, chegando cerca das 11 horas da noite. Dirigiu-se à casa do Morgado Terra, onde entrou de surpresa, no meio do baile, para o qual estava preparado de casaca e grã-cruz de Cristo, retirando-se no dia seguinte para a Terceira.
Era o maior viticultor e vinicultor da ilha do Pico e foi um excelente administrador das importantes casas vinculadas, tanto a sua como a de sua esposa, fazendo sempre o melhor uso dos seus rendimentos, sobretudo em atos de caridade, nos quais era exemplar, assim como a sua esposa.
Faleceu a 22 de janeiro de 1842, deixando de si a melhor reputação. Sua esposa, a morgada D. Francisca Paula, senhora de grandes virtudes e que lhe sobreviveu, faleceu a 24 de junho de 1858.
Fontes: Álbum Açoriano
Carissimo Joao
Pormenores preciosos.
Grande abraco, Jose