Publicado no Jornal Incentivo de 1 de Outubro de 2025
Frases Feitas

É fácil ouvir sempre o mesmo discurso: “antes não se fazia nada, agora finalmente avançamos e alcançamos resultados extraordinários”. Frases feitas, autoelogios repetidos, que pouco dizem sobre o que realmente mudou. Quem questiona ou critica é logo acusado de “estar sempre insatisfeito” ou de “só saber criticar”.
É falacioso afirmar que algo é “o maior de sempre”. Estatísticas mostram que comparações desse tipo não fazem sentido, nem podem ser feitas: o que há dez anos custava 5 milhões, hoje custa 10. Não há paralelo possível, apenas contextos diferentes.
Por outro lado, muitos dedicaram anos de trabalho silencioso, sempre presentes na vida pública, contribuindo com dedicação e consistência. Aqui não há “melhores” ou “piores”, há políticas, ideologias e formas de fazer distintas. Ignorar este esforço é injusto, ofensivo e diminui o verdadeiro mérito de quem trabalha ou trabalhou pelo bem de todos.
Com este discurso populista, cria-se a tendência, mesmo que alguém não queira acaba sempre por escolher um dos lados, dividindo a sociedade, tal é a desconsideração que os discursos vazios frequentemente carregam. Não se trata apenas de superficialidade, trata-se de desvalorizar a dedicação de muitos para exaltar apenas alguns. Sempre foi melhor unir do que dividir, e nunca garantiremos o nosso futuro erguendo barreiras entre faialenses.
Viver os Capelinhos

A Casa Missão – AvistaVulcão volta a surpreender e a afirmar-se como uma força criativa incontornável no Faial. Pelo quinto ano consecutivo, celebra o aniversário do Vulcão dos Capelinhos transforma-se em muito mais do que um evento, é um verdadeiro testemunho de memória, de imaginação e de pertença.

Nunca é demais celebrar os Capelinhos, esse marco que moldou para sempre a nossa identidade e centenas de famílias. Mas o que emociona é perceber como esta data se reinventa, como se renova e como nos envolve a todos numa autêntica “Erupção de Cultura”. A cada edição, confirma-se o espírito vibrante, a criatividade sem fronteiras e a mais-valia inquestionável que representa para o Faial e para os Açores.
Este ano, o olhar sobre a Aldeia Baleeira do Porto do Comprido, que retoma o Circuito dos Baleeiro, marcado pela colocação simbólica da antiga vigia é um exemplo perfeito: evocar as memórias dos baleeiros e das suas famílias não é apenas recordar o passado, é dar-lhe voz, é mantê-lo vivo, é transformá-lo em inspiração. A programação, plural e exigente, une a tradição e a contemporaneidade, da música à performance, do livro à instalação artística.
Uma palavra especial de reconhecimento a Sophie Barbara e Gonçalo Tocha, cuja dedicação e visão ajudam a erguer este património imaterial, feito de encontros, de partilha e de comunidade.
Ficamos à espera dos próximos desafios.
Varadouro: Um Porto por Mérito
Ao longo da sua história, o Porto do Varadouro tem sido relegado para um plano secundário, sem que nunca tenha havido vontade política de criar uma alternativa portuária à cidade da Horta, como ocorre na maioria das ilhas dos Açores. Ainda assim, graças à persistência dos Capelenses, foram implementadas melhorias significativas: instalação de uma grua, construção de casas de aprestos, criação de um posto de recolha com câmara de gelo e sua requalificação após o Furacão Lorenzo. Durante anos, a Junta de Freguesia assegurou a limpeza e manutenção do porto.

Nos últimos dois anos, porém, o porto tem sido alvo de abandono: a grua ficou inoperacional até ser reparada, a máquina de gelo foi retirada e o protocolo com a Junta extinto, enquanto persiste a ameaça de encerramento do posto de recolha, o único fora da cidade da Horta. Mais de 40 embarcações, profissionais da pesca, de apanhadores de lapas e pescadores lúdicos, utilizam diariamente o Porto do Varadouro. Com mais de dois séculos de história, esta infraestrutura vital gera emprego e sustento, sendo parte do dia a dia da freguesia do Capelo. Por isso, não pode ser abandonada nem rebaixada a um simples “portinho”, perdendo a classificação de Porto de Pesca, categoria D. Capelenses e Faialenses precisam unir-se: Desclassificar o Porto do Varadouro não é uma opção!
Padre Paulo Silva
Com a recente decisão do Bispo de Angra e Ilhas dos Açores, que trouxe mudanças profundas ao Faial, todos os sacerdotes da ilha iniciam agora novas missões. Não escondo que não concordo com esta opção, embora a respeite como católico. Acredito que não se trata de partidas definitivas, mas de um recomeço que abre outros caminhos à Igreja.

No entanto, esta etapa não pode encerrar sem o devido reconhecimento. O Padre Paulo Silva deixou entre nós uma marca indelével. Presidiu a momentos de alegria que guardo com estima e, sobretudo, esteve presente em tempos muito difíceis, oferecendo sempre conforto, proximidade e esperança. Esses gestos simples fizeram dele mais do que pastor: fizeram dele amigo.
Com a sua saída, conclui-se uma etapa da sua vida sacerdotal, outras virão. Desejo-lhe as maiores bênçãos na missão que agora abraça, com a certeza de que o mesmo zelo e dedicação que na freguesia das Angústias nos ofereceu continuarão onde quer que vá.
Fora de Serviço

A Boia Hidrográfica, no Canal Faial/Pico, é um instrumento essencial para a monitorização das ondas, medindo altura, período e direção, além da temperatura da água à superfície. Estes dados são cruciais para a segurança da navegação, alertas de condições marítimas perigosas e estudos sobre o comportamento do mar na região.
No entanto, a boia encontra-se há demasiado tempo inoperacional, sem que seja explicado o que impede o seu pleno funcionamento. Esta situação é sintomática de uma realidade preocupante: muitas infraestruturas e de monitorização na região estão paradas no tempo, privadas de manutenção e sem respostas claras às suas falhas. A ausência prolongada de informação compromete a segurança de quem navega e reduz a capacidade de planeamento em condições de mar adverso.