Relíquias de Família – Escola Operário

Jornal “Correio da Horta” de 7 de junho de 1963

“Este grupo de operários exerceu marcada influência na vida económica, social e artística do nosso meio.

Eram homens pobres e trabalhadores, formando, a bem dizer, o Escola Operário faialense, nos alvores do século XX.

A Sociedade de Socorros Mútuos (que é pena não haver sobrevivido) e na Previdência Operária, com as suas secções de Caixa, Padaria e Talho ficaram ligados os seus entusiasmos e a sua dedicação.

Ainda hoje, na «Previdência», emerge, sem longas rebuscas, o espírito organizador e inteligente desse punhado de homens.

Um conjunto de qualidades os distinguira que podemos resumir assim — a iniciativa, a modéstia e a ponderação.

Todos eles tinham sua profissão. Alguns mesmo eram profissionais distintos cuja fama de Arte transbordou o Distrito.

Simultaneamente, boa parte procurava outras formas de cultivar o espírito, de modo especial a Música e o Teatro.

Era de vê-los, então, (os do presente grupo e outros mais) figurarem entre os mais destacados amadores teatrais e das nossas Orquestras ou Filarmónicas.

E sobrava-lhes ainda tempo para outras distracções, especialmente a leitura, feita nas Bibliotecas do «Grémio Literário» e Municipal.

Sem isolarem-se da Sociedade hortense, onde formavam sector relevante, sentiram-se reduzidos pelas ideias de emancipação operária, nessa época a esboçarem-se, e emprestaram-lhe todo o fulgor dos seus espíritos, com a mira única de dignificar a classe.

Assim, estruturaram as «suas Sociedades» — a presidência, os socorros mútuos e o recreio. O seu labor porfiado fê-las progredir e florescer.

Seria longo historiar suas múltiplas actividades societárias e sociais. Alguém se honrará de tal missão, colocando em merecido destaque estes mentores da classe operária, já como acérrimos defensores das suas prerrogativas, já como exemplo apontado no futuro.

Apraz-nos registar, na foto hoje inserida, a presença do sr. José da Silva Cardoso, conceituado comerciante e que foi dos nossos Amadores Teatrais com real mérito.”

ZERO

Published by João Garcia

Nascido na Freguesia da Matriz, ilha do Faial, a 23 de Outubro de 1967

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