O Faial na História do Chá Açoriano

Jornal “O Telegrafo” de 28 de Setembro de 1903

Considero importante divulgar o trabalho de pesquisa realizado pelo meu irmão, José Manuel Medina Garcia, e lançar o desafio a quem se possa interessar por estudar a história das diversas indústrias na nossa ilha. Nas suas investigações, ele encontrou várias referências ao “Chá do Faial” desde o início do século XX. O principal produtor de chá no Faial foi o Senhor Caetano Moniz de Vasconcelos, um destacado proprietário e político açoriano..

Caetano Moniz de Vasconcelos

Edição da “Democracia”

Caetano Moniz de Vasconcelos, natural da Ribeira Grande, veio residir na Horta, ilha do Faial, em 1888. Desempenhou um papel significativo na política açoriana durante os primeiros anos da Primeira República Portuguesa. Exerceu as funções de Governador Civil do Distrito Autónomo de Ponta Delgada de 4 de Maio de 1911 a 18 de Janeiro de 1913 e do Distrito da Horta de 8 de Fevereiro a 1 de Março de 1915. A sua influência estendeu-se para além da política, sendo também um dos principais impulsionadores da produção de chá no Faial, especialmente na Lombega, devendo, supondo, para isso ter trazido da ilha de São Miguel a vontade e o saber do cultivo do chá.

A Produção de Chá 

Jornal “Correio da Horta” de 24 de Julho de 1951

No início do século XX, o Lugar da Lombega, na freguesia de Castelo Branco, assim como no Capelo destacaram-se como importantes centros de produção de chá na ilha do Faial. Documentos da época elogiam a qualidade do chá preto ali produzido, comparando-o favoravelmente ao famoso chá inglês. Este reconhecimento não foi por acaso; o cultivo e processamento do chá envolviam técnicas cuidadosas e uma dedicação exemplar dos produtores locais. Destacando-se como já referido Caetano Moniz de Vasconcelos e também os Senhores Manuel Pereira Gomes, Casemiro Gonçalves, Henrique Silva, entre outros.

Jornal “O Fayalense” de 4 de Janeiro de 1910

A História do Chá nos Açores

A história do chá nos Açores tem início no século XIX, com a introdução das primeiras plantas nas ilhas. O clima favorável e o solo vulcânico fértil dos Açores criaram as condições ideais para o cultivo do chá. Embora São Miguel seja a ilha mais famosa pela produção de chá, sobretudo pelas plantações da Gorreana e Porto Formoso. O Faial também desenvolveu uma produção significativa até meados do século XX.

Em São Miguel, a produção de chá começou por volta de 1870, com a ajuda de especialistas chineses que ensinaram técnicas de cultivo e processamento. A Fábrica de Chá Gorreana, fundada em 1883, é a mais antiga em operação na Europa, destacando-se pela produção de chá verde e preto. A Fábrica de Chá Porto Formoso, embora mais recente, também contribui significativamente para a tradição do chá nos Açores.

Importância Cultural e Económica

O chá dos Açores não só representa uma importante tradição agrícola, mas também tem um valor cultural e económico significativo. As plantações de chá tornaram-se atrações turísticas, oferecendo aos visitantes a oportunidade de conhecer o processo de produção e degustar chás únicos. A indústria do chá continua a ser um símbolo do património açoriano, refletindo a rica história e a dedicação das comunidades locais.

Published by João Garcia

Nascido na Freguesia da Matriz, ilha do Faial, a 23 de Outubro de 1967

Leave a Reply

Discover more from Assim c´má Sim Blog

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading